A inclusão no ano 2010

.........................É fato que caminhamos para a inclusão e vamos fazer de tudo para que seja um caminho sem volta. Porém, algumas atitudes nos fazem torcer para que todos cheguem são e salvo na tão sonhada sociedade inclusiva.
Agora é lei, as escolas públicas são obrigadas a aceitar a matrícula de crianças com deficiências. Diante disso, imagina-se que acabou o tempo em que os pais penavam em busca de escola para os filhos. Mas na verdade ainda é preciso percorrer um longo e penoso caminho.
São muitas as ações de incentivo do governo em prol da inclusão. As escolas especiais e órgãos ligados à educação têm tomado medidas para que as famílias matriculem seus filhos com deficiência nas escolas da rede pública.
No entanto, muitas ainda são as dificuldades dos pais na hora de inserir seus filhos nas escolas. O processo para a efetivação da matrícula se dá através de um cadastro feito em qualquer escola, é um cadastro único. As informações são escassas e os pais precisam “aguardar a criança ser chamada”. Em muitos casos a escola sequer entra em contato com os pais e estes é que precisam ir atrás para saber sobre a existência ou não de vaga.
Seria correto que a equipe, ao receber um aluno com deficiência, buscasse, em primeiro lugar, aceitar aquela criança. Mas ainda se escuta de alguns profissionais da escola, no ato da matricula, frases como: - Mãe, se ele é assim melhor nem matricular aqui, pois são de 35 a 40 alunos por sala, com apenas uma professora e sem preparo...
Um dos pontos importantes para se incluir uma criança, é passar à família segurança. Aliás, a falta desta é que faz com que tantas crianças fiquem em casa o dia todo assistindo TV. Muitas delas vendo os irmãos frequentarem a escola e talvez se perguntando o por quê não podem ir também (vale lembrar que muitas crianças tem seu cognitivo preservado e ainda que não consigam se comunicar verbalmente têm total percepção e entendimento do que ocorre a sua volta).
Bom seria se tivéssemos na prática, profissionais realmente envolvidos com a inclusão. Que aceitem aquela criança na escola mesmo que ainda não saibam como lidar com elas e/ou como alfabetizá-las, com certeza os pais se sentiriam mais seguros para deixar os seus filhos e consequentemente as crianças se sentiriam mais seguras de ficarem em um ambiente desconhecido.
Não dá pra voltar atrás, as crianças estão aí, não importa o nome ou a deficiência que tenham e precisam ter seus direitos respeitados. As famílias estão cada vez mais em busca de formação para os seus filhos e tentar impedir a matrícula por medo não é uma solução. É mais fácil formar parcerias com pais e comunidade para que a inclusão ocorra de forma responsável e prazerosa para a criança.
Antônia Yamashita
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